Dois Coelhos é um filme “massavéio”, como costuma dizer o pessoal do MdM.
Mas é também um filme com uma boa história, excelente e intrincado roteiro e elenco acertadíssimo. É a estreia do diretor Afonso Poyart e tem alguns defeitos, sim, mas todos absolutamente perdoáveis se os colocarmos na balança com as qualidades citadas acima.
Logo de cara fica nítida a influência de Tarantino, Guy Ritchie e até mesmo de Zack Snyder. Mas, ao jogar as referências dessas três “escolas”, Poyart faz mais do que simplesmente prestar tributo a seus ídolos. O diretor traz a atmosfera e o ritmo para nosso realidade. E o resultado é extremamente positivo.
Isso chega a fazer com que os cinco primeiro minutos incomodem um pouco, pois deixou a impressão de que seria apenas uma hora e meia desse ritmo frenético e colorido. Porém, a trama entra nos trilhos a partir dos 10 minutos, quando começamos a entender o plano, as motivações e até mesmo a psique do protagonista (que, a meu ver, é o elo fraco do elenco, mas já chegamos lá)
É lógico que as falhas aparecem. Há um certo exagero na vontade do diretor jogar esse caminhão todo de influências, cenas (e conflitos) que não chegam a lugar algum e também algumas incongruências com a realidade, como na sequência de perseguição e tiroteio no centro de São Paulo sem que apareça polícia nenhuma. Mas são tropeços que não comprometem nem um pouco o desenrolar da história, devendo ser creditados à pouca experiência do diretor.
O elenco está afiadíssimo. Se por um lado Fernando Alves Pinto apresenta uma desenvoltura forçada, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Thaíde e, principalmente, Marat Descartes (no papel do vilão Maicon) agigantam o filme, com atuações viscerais. Isso sem falar nos coadjuvantes, que em muitas cenas roubam todo o destaque.
Nenhuma ponta do roteiro fica solta. Tudo é explicado, ainda que por linhas tortas. A tensão é constante e as surpresas com as reviravoltas do roteiro garantem momentos de empolgação até o último instante. Em três ocasiões distintas parece que a história já acabou, até que realmente se encerra, em uma cena curta e bonita que responde à abertura do filme.
Só continuo achando que o trailer não precisava entregar duas cenas tão importantes, o que não me permitiu ficar surpreso em dois momentos de resolução de conflitos. Mas isso pode ser somente implicância minha.
Por via das dúvidas, não colocarei o trailer.




