A volta do detetive porradeiro
Em primeiro lugar devo avisar que gosto do Sherlock Holmes porradeiro trazido por Guy Ritchie há pouco mais de dois anos no primeiro filme do detetive mais famoso do mundo. A despeito de todas as críticas feitas ao direcionamento do trabalho do diretor, por ele “ser ele demais”, a escolha de estilo cumpriu bem seu papel de entreter sem fazer isso de maneira rasa.
Essa é uma análise válida tanto para o primeiro filme como para o segundo, recém-chegado aos cinemas brasileiros. Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras diverte sem subestimar o espectador. Não é uma obra-prima, mas é uma boa opção para uma sexta-feira à noite.
E o fato de Guy Ritchie ter estado muito mais livre nessa sequência é notório. Percebe-se nas cenas de ação mais rápidas e nas doses cavalares de slow motion. A sensação de vídeoclipe é muito maior agora, principalmente nas cenas de explosões e tiroteios. Houve um exagero nas cenas de luta e quase não conseguimos acompanhar o ritmo dos socos e pontapés. Esse estilo é mais realista, é verdade, mas às vezes cansa os olhos.
Na trama, Holmes enfrenta seu mais famoso adversário, o Professor Moriarty, que já havia sido mencionado no fim do primeiro filme. A história já começa no meio, sem longas explicações sobre o histórico da inimizade dos dois ou as motivações do vilão. Não há tempo a se perder com contextualizações.
Há paralelos com a História, como o diálogo final entre Holmes e Moriarty deixa claro. Mas as pistas já haviam sido lançadas, como a tensão europeia ou as cenas de tiroteio na Alemanha. Tudo remete ao que lemos nos livros e aprendemos na escola, mas com muita sutileza.
O elenco também dá conta do recado. Robert Downey Jr. é cada vez mais ele mesmo, o que não é um ponto negativo, pois é isso que dá personalidade a Holmes (certo, na literatura não é assim), o que o torna divertido no cinema. Jude Law está apagado, mesmo para um coadjuvante, e a mocinha do primeiro filme, Rachel McAdams, faz apenas uma participação, dando lugar à novata Noomi Rapace (a Lisbeth da versão sueca do esperadíssimo “Os homens que não amavam as mulheres”). E Noomi se sai muito bem.
Outro a se destacar é Jared Harris, o vilão inteligente, frio e calculista. Talvez a melhor atuação do filme. Stephen Fry também foi muito bem, mas com participação muito pequena, como o irmão de Holmes, Mycroft.
Em resumo: não vai mudar sua vida e talvez não entre em nenhuma lista de melhores do ano, mas vale a ida ao cinema, só pela diversão. E o que há de mal nisso?



