Ao lembrar-me de Nick Hornby e seu roteiro para o filme An Education, lembrei desse texto, publicado originalmente há quase dois anos, em 19 de janeiro de 2010. Então aqui está mais um material de arquivo, que só republico por achar que se trata de um filme que vale a pena ser visto por quem ainda não o fez!
Fã que se preza, aguarda ansiosamente por alguma nova contribuição do ídolo. Quem admira o trabalho de um artista espera sempre ter um pouco mais que seja. Na literatura quem nos ensina essa lição muito bem são os adolescentes e sua avassaladora paixão típica da idade. Um exemplo disso é o sucesso de livros como “Os Contos de Beedle, o Bardo”, spin-off da série Harry Potter. Os fãs de J.K Rowling agradecem por ter uma coisa a mais pra compor suas “coleções”.
Assim também sou eu com meus autores favoritos. E enquanto espero o livro Juliet, Naked publicado em 2009 e ainda sem previsão de lançamento aqui, me apeguei a um roteiro escrito por seu autor, Nick Hornby (Alta Fidelidade, Febre de Bola e Um grande garoto). Desde que li as primeiras notícias sobre An Education quis conferir de perto. E quando sobem os créditos, a certeza é a de que ele não decepciona. Não que seja uma novidade essa faceta roteirista do escritor inglês, já que as adaptações de seus livros para o cinema sempre contaram com sua participação.
O filme narraa a história de uma adolescente criada por pais rigorosos quando o assunto se trata de educação. O pai quer que ela estude em Oxford. A mãe parece projetar na filha algo que não teve ao casar. Esses planos podem ir por água abaixo quando a jovem conhece um homem mais velho que lhe oferece um mundo de concertos, jantares, leilões de arte e viagens a Paris. O que uma menina de 16 anos escolheria? Meter as caras nos livros de latim ou ouvir Juliette Greco às margens do Sena com um homem que parece saber tudo sobre qualquer coisa? Educação formal ou a vida?
Parece clichê! Mas o mérito de Hornby é construir um roteiro inteligente, baseado na biografia homônima, escrita por Lynn Barber. Inteligente porque sua ousadia é justamente caminhar com simplicidade. Ele não procura chocar e nem agredir. Não há necessidade. A narrativa emociona mesmo sendo quase previsível, com clichês tão reais quanto necessários. A dinamarquesa Lone Scherfig dirige de forma magnífica e reforça a necessidade de contar uma história simples, sem lição de moral ou algo que o valha. Fotografia, direção de arte e trilha sonora também fazem a sua parte, dando ao espectador a sensação de que o filme foi feito realmente em 1961, ano em que a história se passa.
O elenco discreto (Alfred Molina e Emma Thompson são os mais conhecidos) está magnífico. Destaque para Carey Mulligan, que faz a moça cheia de incertezas Jenny. Ela consegue transmitir todas as sensações sem cair na armadilha de transformar a personagem em uma garota boba, mesmo quando diz em uma das cenas que “Estudantes tolas são sempre seduzidas pelo glamour de homens mais velhos”. Com sua fascinante beleza clássica, contribui para que nos apaixonemos por ela, pela história, pelos cenários, pelas músicas.
An Education é um filme para fãs da atmosfera dos anos 60. Para fãs de belas trilhas sonoras com lindas canções francesas. Para fãs de filmes britânicos. E, principalmente, para fãs de Nick Hornby, ao menos para aqueles que ainda não estão lendo seu mais recente livro.



