“Don’t know why there’s no sun up in the sky”
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Houve uma época em que ouvi muito essas duas. Uma época em que, a partir de um trabalho de faculdade, me embrenhei na Bossa Nova e na música brasileira desse período. Das duas que merecem as homenagens hoje, Nara flertou mais com o ritmo do banquinho e do violão, mas logo percebeu que queria outra coisa. Sinceramente eu prefiro ela, mas a comparação é injusta e não deve ser feita.
Elis Regina morreu há 30 anos.
Nara Leão, se estivesse viva, completaria 70.
Minha breve homenagem a duas das maiores:
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Em primeiro lugar devo avisar que gosto do Sherlock Holmes porradeiro trazido por Guy Ritchie há pouco mais de dois anos no primeiro filme do detetive mais famoso do mundo. A despeito de todas as críticas feitas ao direcionamento do trabalho do diretor, por ele “ser ele demais”, a escolha de estilo cumpriu bem seu papel de entreter sem fazer isso de maneira rasa.
Essa é uma análise válida tanto para o primeiro filme como para o segundo, recém-chegado aos cinemas brasileiros. Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras diverte sem subestimar o espectador. Não é uma obra-prima, mas é uma boa opção para uma sexta-feira à noite.
E o fato de Guy Ritchie ter estado muito mais livre nessa sequência é notório. Percebe-se nas cenas de ação mais rápidas e nas doses cavalares de slow motion. A sensação de vídeoclipe é muito maior agora, principalmente nas cenas de explosões e tiroteios. Houve um exagero nas cenas de luta e quase não conseguimos acompanhar o ritmo dos socos e pontapés. Esse estilo é mais realista, é verdade, mas às vezes cansa os olhos.
Na trama, Holmes enfrenta seu mais famoso adversário, o Professor Moriarty, que já havia sido mencionado no fim do primeiro filme. A história já começa no meio, sem longas explicações sobre o histórico da inimizade dos dois ou as motivações do vilão. Não há tempo a se perder com contextualizações.
Há paralelos com a História, como o diálogo final entre Holmes e Moriarty deixa claro. Mas as pistas já haviam sido lançadas, como a tensão europeia ou as cenas de tiroteio na Alemanha. Tudo remete ao que lemos nos livros e aprendemos na escola, mas com muita sutileza.
O elenco também dá conta do recado. Robert Downey Jr. é cada vez mais ele mesmo, o que não é um ponto negativo, pois é isso que dá personalidade a Holmes (certo, na literatura não é assim), o que o torna divertido no cinema. Jude Law está apagado, mesmo para um coadjuvante, e a mocinha do primeiro filme, Rachel McAdams, faz apenas uma participação, dando lugar à novata Noomi Rapace (a Lisbeth da versão sueca do esperadíssimo “Os homens que não amavam as mulheres”). E Noomi se sai muito bem.
Outro a se destacar é Jared Harris, o vilão inteligente, frio e calculista. Talvez a melhor atuação do filme. Stephen Fry também foi muito bem, mas com participação muito pequena, como o irmão de Holmes, Mycroft.
Em resumo: não vai mudar sua vida e talvez não entre em nenhuma lista de melhores do ano, mas vale a ida ao cinema, só pela diversão. E o que há de mal nisso?
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Quando terminei de ler Um Dia fiquei com vontade de publicar a minha opinião. Mas o máximo que consegui fazer foi soltar meia dúzia de impropérios no Facebook. Por isso, achei melhor deixar para escrever sobre o livro de David Nicholls depois de um tempo, com a cabeça certamente um pouco mais fria.
Não que os impropérios tenham vindo à tona por deficiências do livro. Na verdade, Um Dia é uma das melhores coisas que li desde que saí da faculdade (a referência é pelo fato de este ter sido o período em que mais consumi literatura). Uma escrita ágil, atraente, delicada e densa, sem enfeites desnecessários. Não há meias palavras. Tudo o que precisa ser dito é feito de maneira direta. Em nenhum momento o leitor se sente perdido, qualidade rara na “alta” literatura de hoje em dia.
A trama é muito simples: um casal que até o dia da formatura não se conhecia muito bem passa uma noite junto. A partir daí, o livro conta a história do relacionamento conturbado dos dois, pegando ano a ano aquele mesmo dia em que se conheceram: 15 de julho.
Dizendo assim parece que não há nada demais. Mas a forma como o autor narra o passar dos anos e nos apresenta os sentimentos, erros e acertos do casal nos aproxima dos conflitos. Nada nos é estranho e a sensação de que já vivemos aquelas histórias, aquelas discussões, aquelas noites vazias é grande. Dexter e Emma possuem muito de cada um de nós. A história deles podia ser a minha, a sua, a de qualquer um.
É por isso que Um Dia, apesar de não atender a nenhuma daquelas fórmulas fáceis de sucesso do mercado literário, já nasce best-seller. Porque ele obedece à principal fórmula: ser um livro muito bem escrito, com uma história que envolve o leitor. E quanto ao motivo dos impropérios citados acima, melhor eu não dizer nada. Leia o livro!
Ficha Técnica:
Um Dia
Autor: David Nicholls
Intrínseca
416 páginas
R$29,90
Adendo: O filme, com direção de Lone Scherfig (Educação) e Anne Hathaway e Jim Sturgess nos papéis principais, é bem fiel a obra. A maneira despretensiosa como a história é contada, aliada a uma sensível e eficaz condução da trilha sonora, colaborou para que o livro ganhasse ainda mais leitores pelo mundo. Mostra uma diretora com muito a evoluir e acentua ainda mais a comparação (ainda precoce) de David Nicholls com Nick Hornby, conhecido por ceder suas obras ao cinema e roteirista do badalado filme anterior de Scherfig, de 2010.
O trailer:
E aqui um legendado.
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Henfil era um cartunista genial. Genialidade que escapava um pouco para quando ele se metia com as palavras. E como escrevia!
Os trechos abaixo estão no raríssimo “Cartas da Mãe”, que anos depois de ter lido encontrei em um sebo qualquer de Santos. O que me leva a perguntar: Nenhuma editora vai relançar a obra desse cara?
A primeira carta fala da saudade do irmão Herbert de Souza, o Betinho, que estava exilado pelo regime militar. A segunda é recheada de lirismo.
É triste que caras como esse morreram de uma forma tão estúpida. Foi há 24 anos. Fica esta minha homenagem ao meu cartunista preferido, ainda que em 1988 eu tivesse apenas oito anos.
“São Paulo, 11 de abril de 1979.
Mãe,
Não suporto mais a saudade sufocante do meu irmão Betinho. Minha vida segue sem sentido e sem alegrias. Sai um disco do Chico e não consigo me entregar no canto que gostaria de partilhar com ele e com a Maria. O grito de gol fica preso no peito porque me sinto sozinho no Maracanã mais lotado.
Profissionalmente? Estou bem, muito bem. Mas eu queria que eles também se orgulhassem de mim ao receberem o jornal de manhãzinha na porta da casa deles, aqui, como todos. Faltam duas palmas, duas risadas brancas e quentinhas na hora em que as cartas são lidas ou as gracinhas são feitas na “Revista do Henfil”.
Não. Não é por causa de mulher que eu vou parar. Olho e sou olhado, beijo e sou beijado, mimo e sou mimado.
Perdoa, mãe, mas biscoito de farinha só é gostoso se mastigado olhando nos olhos do irmão que sente na mesma hora a mesma delícia.
A bênção de um dos seus filhos,
Henfil”
* * * * * *
“São Paulo, 1º de setembro de 1978.
Eu nunca soube amar. Eu nunca soube amar a cada um. Eu nunca soube amá-los como indivíduos. Eu nunca soube aceitá-los como feios, fracos e lentos. Tragam-me um doente e não chorarei com ele. Mas me mostrem um hospital e derramarei rios e mares. Eu não sei falar e ouvir um homem, uma mulher ou uma criança. Eu só sei fazer coletivo, massa, povo, conjunto. Sou capaz de ser herói, mas não sou capaz de ser enfermeiro. Sou capaz de ser grande, mas não sou capaz de ser pequeno. Eu nunca dei uma flor. Nunca amei uma pessoa. E tenho amor. Dou desenhos, dou textos, escrevo cartas. Sem contato manual, sem intimidade, sem entregar. Por que desenho, por que escrevo cartas? Minha arte é fruto da minha importância de viver com vocês. Um dia, vou rasgar o papel que escrevo, rasgar o bloco que desenho, rasgar até esse recado covarde e vou me melar e besuntar com vocês, tudo com meu grande beijo. Vocês vão me reconhecer fácil: vou ser o mais feliz de vocês”.
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Se 2011 terminou na preguiça, 2012 começa no mesmo ritmo.
Vídeo afanado diretamente do Trabalho Sujo, que, por sinal, deveria ser leitura obrigatória a todos vocês.
E Beach Boys é sempre bem-vindo, além dessa letra ser quase uma prece para o ano que está todo aí, na minha frente!
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Essa época do ano é de recapitulações e promessas. Eu fiquei na preguiça e, se não fosse o Diogo Sales me apresentar esse trailer, o blog encerraria o ano sem nenhuma nova atualização.
2 Coelhos é uma boa promessa para 2012. A estreia está prevista para o fim de janeiro. Resta esperar que todas as melhores cenas não tenham sido jogadas no trailer.
Então veja o vídeo, tire suas conclusões e um Feliz 2012 para todos nós!
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Esse é um ensaio para o ano que começa em breve. Novas sessões, que serão melhor explicadas depois. Estou pensando bastante em novidades para o blog em 2012. Segue, pois, um aperitivo:
“Belo Horizonte, 19 de janeiro de 1944
É o diabo haver sempre gente disposta ao cinismo de ter vinte anos. E é uma impiedade carregarem a gente assim contra a vontade para não sei onde, para a nostalgia dos 43 anos. Mas eu vou fazer 23, pílulas! E a vida não se limita ainda pela morte porque há caminhos que talvez seja preciso recusar. De qualquer maneira, à nossa revelia, tudo vai se imobilizando no granito dos compromissos e os amigos imperceptivelmente começam a usar chapéu-coco e já não admitem que lhes pegue pelo braço sem finalidade, apenas para “puxar angústia” ou para sobrenadar no balanço gostoso da conversa mole. Imperceptivelmente algumas coisas vão sendo surrupiadas, o vocabulário diminui e nem todas as palavras se dizem. Porque já não fica bem. Talvez 23 anos seja uma idade. Mas meu coração é um passeio público.”
O Rio é Tão Longe – Cartas a Fernando Sabino (2011)
Otto Lara Resende
Retirado de um PDF divulgado pela Companhia das Letras. Bem aqui.
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